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A POESIA E O TEJO







Mares Navegados ao encontro do Tejo, estou de volta a ti como sempre e como se nunca tivesse deixado aqui de estar.

Blog bom é da UOL, pois o google de bloqueia só porque voce prenche um dado errado, te exclui e nao deixa voce alterar nada, eu prefiro meu blog simplezinho da UOL, que é 10 e mais nada.

tenho dito que assi a vida fica melhor!

Obrigada meu blog por sempre estar aqui quando eu te quero para redigir minha curtas palavras!



 Escrito por Lilia Trajano às 03h06 PM
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A QUEM CABE O BENEFÍCIO DA DÚVIDA?


 

A quem cabe o benefício da dúvida?
Nascemos pobres, negros e moradores em bairros com habitação degrada, mais comummente conhecida como: FAVELA.
Não nos é permitido decidir o que fazer até termos noções do que somos capazes de fazer, no entanto, há caminhos a seguir, mais todo caminho tem sempre vários seguimentos, por vezes pode ser uma encruzilhada, noutros, caminhos opostos. O que vale realmente é sabermos que o caminho que escolhemos decidirá com certeza a nossa trajectória na estrada da vida.
Por vezes seguimos caminhos tortuosos por imposição de um sistema que não permite que seja diferente, és levado por ele como quem segue a trajectória do rio e suas fluentes.
Aguas tortuosas que se misturam com águas calmas, e que se transformam em pororocas.
Pode ser diferente um individuo que nasce em um habitat influenciado pelo crime, controlado pelo crime, agir conformidade a sua natureza sem se misturar? O que o impede de seguir uma trajectória diferente, o que o faz seguir outro destino?
Há caminhos, é certo, podemos conviver na mesma estrada com o mal, sabemos que ele existe e está ali a espreitar para que a gente tenha um pequeno deslize, um tropeço e pronto, lá está, ele dentro de nós, a nos comandar a vida. Entretanto, podemos errar, podemos nos perder na estrada, mas, há sempre a possibilidade de voltarmos atrás, encaramos de frente a verdade que nos cerca e seguirmos no caminho correto, ou seja, no caminho do bem.
O bem e o mal se misturam porque os valores que cada individuo tem dentro de si do que é o bem e o mal, pode ser diferenciado, o que para mim pode ser o bem, para o outro, pode ser o mal e o que para mim é o mal para o outro pode ser o bem. E acredito, que neste sentido é que alguns julgam certas as atitudes assistencialistas feita por traficantes, alguns por terem crescido, estudado, brincado, convivido com pessoas que se tornaram traficantes não conseguem discernir o bem do mal.
A quem cabe o benefício da dúvida, quando um individuo que não se sabe como, de repente, se torna líder de uma comunidade, consegue ele diferenciar o certo do errado?
Pode-se concordar que o tráfico de drogas é mal, mas pode-se concordar em aproveitar os benefícios sociais, culturais e desportivos financiados pelo mesmo supra citado, tráfico de drogas, é bom. Incoerência, nubilidade, inocência? A quem cabe julgar?
O passado é feito de erros, mas são esses erros que escrevem a história para que no futuro eles não se repitam. Quem pode ser exemplo do bem, de justiça, honestidade sem dúvidas do contrário, que atire a primeira pedra. Será que somos todos inocentes sem erros que tenhamos cometido no passado? Se assim for então peço desculpas por minha incoerência, mas não consigo ver situações serem tratadas com um único olhar, é para que fique claro, todo mundo é inocente ate que se prove o contrário.
Lilia Trajano – Lisboa, 2 de Dezembro de 2011


 Escrito por Lilia Trajano às 04h47 PM
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Que a paz desse dia nos faça refletir sobre quem somos, e assim sendo publico este texto lindíssimo de Charles Chaplin.

"Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.E então, pude relaxar.Hoje sei que isso tem nome... Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.Hoje sei que isso é...Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.Hoje chamo isso de... Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.Hoje sei que o nome disso é... Respeito.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável... Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo. De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.Hoje sei que se chama... Amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.Hoje sei que isso é... Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei muitas menos vezes.Hoje descobri a... Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de preocupar com o futuro. Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é... Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.Tudo isso é... Saber viver!!!"

Charles Chaplin



 Escrito por Lilia Trajano às 12h14 PM
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Rocinha, no princípio, era o verbo! Hoje faz-se luz!

Rocinha, no princípio, era o verbo! Hoje faz-se luz!

Começo com um trecho do poema de Cecília de Meireles:
“Sou poeta.
Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias no vento.”

Nasci na favela da Rocinha, tenho 46 anos, e há 9 anos vivo em Lisboa.


Por de trás da casa onde nasci e me criei ficava o clube SOREG, depois transformada em garagem da TAU, para hoje ser prédios de habitação. Nós ali íamos eu e meus irmãos passear no fim da tarde com minha tia, meu pai, minha mãe ou tirar uma fotografia de família. Era um lugar lindo, com animais que hoje estão em extinção, onde havia grandes árvores com seus frutos doces e que podíamos comer sem correr risco. Tínhamos uma área verde e grande para brincar.

Na minha infância inicio da minha adolescência éramos um grupo bastante númeroso de amigos e unidos para tudo: Beto, André, Ana, Adriana, Laia, Adilson, Katia, Murilo, Sonia, as gémeas: Deise e Denise, Nilcéia: a menina especial do grupo, o seu irmão Eduardo, Wilson e Serginho, Edmilson – o Mancha - , alguns foram embora, outros iam chegando e a gente ali, na nossa inocência brincando de muita coisa boa, ate a tarde cair e a gente ter que ir para dentro de casa. A fundação não era cercada com muros e podíamos chegar do outro lado da rua 4 brincando.

Eu e minha família vivíamos no Beco do Rato, onde até hoje temos uma casa. Sou de uma família numerosa, seis irmãos, fomos criados juntos, brincando juntos, dentro de casa e no espaço aberto que tínhamos perto da Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, antiga Fundação Leão XIII. Estudei na Paula Brito, mas eu minha irmã gémea, ficamos la pouco tempo, e logo fomos transferidas para a escola na Marques de São Vicente: Luís Delfino, depois para a escola Christiano Hamann, onde estudei com meu amigo Carlos Costa, crescemos juntos, e aprontamos muito, tudo dentro da alegria, inocência, na amizade, no samba, poesia.


Com 14 para 15 anos comecei a participar das actividades de teatro na associação de moradores UPMMR, com 16 anos da colonia de férias como monitora, junto com minhas irmãs, Fábio Costa, e Carlos Costa. Foram tempos alegres e penso que ainda de liberdade na Rocinha.


Aos 17 anos eu minhas irmãs (Marisa e Maricea) começamos a trabalhar na escolinha da Rua 2, em regime de mutirão construímos a escolinha, fizemos calçamentos de becos, na escolinha éramos financiado pela UNICEF, ate a secretaria de educação se apropriar do espaço e efectivar seus funcionários, bateu uma saudade daquele tempo, da Dona Maria do Teatro e suas canções, do Ailton Rosa que animava a vida da garotada inventado coisas e bailes na matine no clube Monte Carlos em cima da padaria, ao lado da igreja. Saudades de Paulo Belera, Seu Pedro, Seu Inácio e suas lindas histórias. Maria Helena da UACPS, Oliveira, Martins, Maurício Trajano, Tânia Regina, Dilma, Maria Inês – a xuxo – Padre Cherry, o ex-padre Cristiano, e tanta gente que passou que deixou sua contribuição e os que ainda permanecem lutando.

Foi nessa altura que surgiu as primeiras reuniões clandestinas da formação do Partido dos Trabalhadores, eu e minha irmã. Não podíamos votar, mas participamos de tudo, produzíamos material, fazíamos campanha, colávamos cartazes escondidos.

Aos 18 anos passo a participar mais ativamente da UPMMR, e ao contrario do que tem sido noticiado, a falecida Maria Helena, foi eleita pelos moradores, um grupo de lideranças da Rocinha que se uniu para compor a Chapa 2, porque queríamos ganhar do Zé do Queijo nas eleições, não havia bandidos envolvidos connosco, naquela altura o que estava em jogo era o bem-estar da comunidade. Maria Helena só se torna amante do Denis depois de tomar posse como presidente, e já no andamento do seu primeiro ano de mandato, que isso fique claro, porque a chapa 2 era composta por pessoas serias e que ao longo dos anos vinha atuando na Rocinha para o seu desenvolvimento urbano, social e cultural, não ganhávamos dinheiro e nem tínhamos a intenção de lucrar com nada, queríamos a melhoria da comunidade.


Fui membro da diretoria na área da cultura e secretária da associação, vivi nesse período muita coisa, e vi muita coisa acontecer. Passei a ser respeitada pelo Denis porque impedi sua entrada na sede da associação, alegando que ali estavam reunidos moradores da Rocinha, não era lugar de bandido, na hora que assim agi nem pensei que podia levar um tiro, agi simplesmente e ele foi embora, e voltou sozinho, desarmado, minutos depois e com um documento que mostrava que era morador da rua 2, perguntando se ele poderia participar da reunião dos moradores, foi a partir deste momento, penso eu, que ele passa a fazer parte da associação, quem viveu aquele momento lembra bem das ameaças que surgiram depois, e muita gente da diretoria ao invés de ficar e enfrentar tudo como sempre havíamos feito, se retiraram da associação, deixando pra trás a presidente sozinha, fiquei com ela, não me arrependo, gostava imenso da Maria Helena, tínhamos divergências politicas, partidárias, mas éramos amigas, brigávamos imenso, mas fiquei ao lado dela, até perceber que o barco iria afundar, avisei-a peguei meu salva-vidas, implorei a ela para vir comigo e fui embora. Ela não quis sair, não queria viver fugindo, ficou e morreu.

Participei da formação do Posto de Saúde da Rua 1, onde fui vacinadora voluntária durante 17 anos, ajudei a construir e a fundar muitos espaços sociais e culturais na Rocinha, como: Centro Comunitário Alegria das Crianças, Centro Comunitário Maria Helena, Centro Social E Aí Como é Que Fica, o grupo cultural Arte Astral, o projecto Redescobrir com Tio Lino. E da criação do Livro Varal de Lembranças – Causos e casos da Rocinha, onde tivemos o prazer de entrevistar pessoas que foram de grande importância para a memória da Rocinha e que hoje já não se encontram entre nós.

Participei ainda da formação da Casa da Cultura da Rocinha, onde fazíamos reuniões na casa do Fábio Costa no início dos anos 90, participaram desse início eu, minha irmã Maricea, Carlos, Fábio, Harold, Jorge (ex-marido de Heloísa) Heloísa, e Ailton Rosa que nos apoiou com os eventos na rua como: concurso miss gay, miss Rocinha, a presença do grupo da Orunmilá da Bahia e a exibição de filmes na Via Ápia, show para os desabrigados da Rocinha. Participei ainda do elenco da primeira Via Sacra da Rocinha, onde o ator falecido Walter fez de Cristo, sob a direcção de Aurélio e Fábio.


Tenho orgulho de ter contribuído para o engrandecimento da Rocinha! Naquela altura eramos agentes comunitários voluntários, não tínhamos interesses políticos ou financeiro, queríamos o melhor para Rocinha. Como diz meu amigo Harold Avlis, nós éramos agente comunitário - gente que fazia, não liderávamos nada, por isso nunca me considerei líder.


Participei do grupo Resistência Pré Vestibular Para Negros e Carentes da Rocinha que começou na Igreja Metodista e depois foi para o Ciep Airton Sena, onde depois de aluna passei a ajudar na coordenação, passei no vestibular e cursei na PUCRio – Serviço Social, hoje com Mestrado feito em Lisboa.

Digo que sou um pouco de tudo, aprendi artesanato, fotografia, dramaturgia, e não penso em nenhum outro lugar onde eu poderia ter adquirido a formação da vida que tenho hoje se não tivesse nascido e crescido na Rocinha, uma família maravilhosa, que se criou e cresceu na Rocinha com dificuldades, mas com integridade, respeito e amor pelo próximo. E como diz o Zé Luís: Vamos fazer a Primavera das Favelas Cariocas e fazer brotar um jardim de criatividade e inovação em cada uma delas. Eu digo: vamos fazer o sol brilhar eternamente. Essa é a nossa missão.

Paz na Rocinha.

Lilia Trajano – Lisboa 15 de Novembro de 2011.



 Escrito por Lilia Trajano às 11h07 AM
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Maria Bethânia lê poemas e canta em espetáculo no Rio 03 de setembro de 2010 | 10h 02

AE - Agência Estado

Há quase 40 anos, desde o LP "Rosa dos Ventos", Maria Bethânia traz para enriquecer seus discos e shows textos de Vinicius de Moraes, Ferreira Gullar, Castro Alves e, mais do que qualquer outro autor, Fernando Pessoa. A partir de hoje, essa intensa relação da cantora baiana com a palavra, seja em prosa ou em poesia, estará em primeiro plano, com as canções em segundo.

Bethânia e As Palavras, que ocupará o teatro Fashion Mall, no Rio, neste e no próximo fim de semana, é um espetáculo singular nessa carreira marcada pela fórmula texto-música. A seleção ficou a cargo do antropólogo Hermano Vianna, com quem a cantora costuma trocar poesias, e do ator e diretor Elias Andreato.

Alguns são poemas que os fãs que frequentam seus shows já a ouviram recitar, como Poema do Menino Jesus, de Alberto Caeiro, e Ultimatum, de Álvaro de Campos. Ambos heterônimos de Pessoa - chamado por Bethânia de "o poeta de sua vida", "fonte de sua sede", "sua mais fiel tradução". A devoção é tanta que a Casa Fernando Pessoa, instituição de Portugal, conferiu a ela a Ordem do Desassossego, láurea destinada aos grandes divulgadores de sua obra.

Os outros autores escolhidos são de gêneros e épocas diferentes: Padre Vieira, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, o português Antonio Ramos Rosa, o moçambicano José Craveirinha, considerado o maior poeta de sua terra, o carioca Fausto Fawcett, o irmão Caetano. Mas além das leituras, ela cantará. No repertório, Amália Rodrigues ("Estranha Forma de Vida"), Paulinho da Viola ("Dança da Solidão") e Renato Teixeira ("Romaria"). As músicas entrarão em trechos, justamente de modo oposto ao que acontece nos shows. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Bethânia e As Palavras - Teatro Fashion Mall (Estrada da Gávea, 899). Rio de Janeiro. Tel. (21) 3322-2495. 6ª e sáb., 21h30; dom., 20h. R$ 80/R$ 100. Até 12/9.



 Escrito por Lilia Trajano às 01h19 PM
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Oficina da Palavra com Maria Bethania

Maria Bethânia, Palavra, Palavras

Neste encontro, uma artista fora de série revela algumas das densas e sensíveis facetas de sua relação com as letras. O que explica uma boa parte da paixão que, há mais de 40 anos, é a marca de sua relação com o público. MARIA BETHÂNIA Vianna Telles Velloso. Estreou profissionalmente no espetáculo Opinião, em 13 de fevereiro de 1965, no Rio. Tem 47 discos gravados – 33 em estúdio e 14 ao vivo – e oito DVD’s. É uma das três maiores artistas femininas em vendagem da história audiovisual brasileira. Apresenta-se regularmente em palcos nacionais e internacionais através de produções reconhecidas por seu rigor. Desde 2001 está ligada à gravadora independente Biscoito Fino, onde também desenvolve projetos sob o selo Quitanda. Data: 04 AGO Terça-Feira. Duração: 1 encontro. Local: CASA DO SABER RIO (Lagoa). Horário: às 20h. Valor: R$ 95,00 na inscrição. Inscrições: Tel.: (21) 2227-2237/222. Horário de funcionamento: 11h às 20h. http://www.casadosaber.com.br/rio. Nossos agradecimentos a Lília e ao Sílvio pela informação.



 Escrito por Lilia Trajano às 12h18 PM
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 Escrito por Lilia Trajano às 01h06 PM
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http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1155148



 Escrito por Lilia Trajano às 12h55 PM
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Curta Circuito

Projeto inicia mostra com filmes de música
igor costoli
Especial para o tempo

O projeto Cineclube Curta Circuito abre sua programação do mês de junho hoje com a mostra Panoramas - O Visual do Áudio. Serão exibidos filmes sobre grandes nomes da música brasileira, como Maria Bethânia, Tim Maia e os Mutantes.

No mês passado, a programação da mostra tinha um tema central, que se refletia nas programações semanais, o que não acontece no mês de junho. "Em maio, todas as seleções foram pensadas com o tema Cidades. E este mês será o contrário: não há temática específica", explica Igor Amin, coordenador do Curta Circuito.

Entretanto, Igor explica, as seleções semanais continuam mantendo sua unidade. "Sempre tem uma lógica, e as exibições seguem uma linha de curadoria", afirma Igor, sobre a seleção de hoje. Panoramas - O Visual do Áudio. Trata-se de uma seleção de filmes sobre música, com enfoque maior sobre os músicos.

Os filmes. "Bethânia Bem de Perto", de 1966, é um média-metragem de pouco mais de 30 minutos que abre a noite. O filme de Júlio Bressane e Eduardo Escorel acompanha a cantora ainda recém-chegada no Rio de Janeiro, em seu dia-a-dia passeando pela cidade, em casa ou na companhia de amigos.

No caso, o interessante nas conversas são, principalmente, os tais amigos: Jards macalé, Rosinha Valença e Caetano Veloso.

Na sequência, "Tim Maia", de 1987, documentário que registra cenas do cantor nos bastidores de um show e num passeio pela orla da praia.

Nos moldes de Bethânia, "Mutantes", de Antônio Carlos da Fontoura, acompanhando a banda homônima em um dia ordinário, pelas ruas de São Paulo.

"Afinação da Interioridade", de Roberto Berliner, completa a seleção. Com duração de um minuto, o curta é um pequeno fenômeno da Internet e faz uma brincadeira com o cantor e compositor Gilberto Gil.



 Escrito por Lilia Trajano às 12h48 PM
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Presidente Americano Barack Obama

 

Discurso de posse - 20 de Janeiro de 2009.

"Meus caros cidadãos:

Eu me coloco aqui hoje humildemente diante da tarefa à nossa frente, grato pela confiança com que vocês me honraram, ciente dos sacrifícios realizados pelos nossos ancestrais. Eu agradeço ao presidente Bush pelo seu serviço à nossa nação, bem como pela generosidade e cooperação que ele mostrou ao longo da transição.

Quarenta e quatro americanos agora já fizeram o juramento presidencial. As palavras foram ditas durante crescentes marés de prosperidade e as águas calmas da paz. Mas, de tempos em tempos, o juramento é realizado entre nuvens que se formam e tempestades violentas. Nesses momentos, a América seguiu à frente não somente pela habilidade ou visão dos que estavam no alto escalão, mas porque Nós o Povo permanecemos confiantes nos ideais dos nossos ancestrais e fiéis aos nossos documentos fundadores.

Assim tem sido. Assim deve ser com essa geração de americanos.

Que nós estamos em meio a uma crise é agora bem sabido. Nossa nação está em guerra, contra uma rede de longo alcance de violência e ódio. Nossa economia está bastante enfraquecida, em consequência da ganância e irresponsabilidade por parte de alguns, mas também por nosso fracasso coletivo em fazer escolhas difíceis e preparar a nação para uma nova era. Casas foram perdidas; empregos cortados; negócios fechados. Nosso sistema de saúde está muito dispendioso; nossas escolas fracassam com muitos; e cada dia traz novas evidências de que as formas como usamos a energia fortalecem nossos adversários e ameaçam nosso planeta.

Esses são os indicadores da crise, assunto de dados e estatísticas. Menos mensurável, mas não menos profundo, é o enfraquecimento da confiança ao longo de nossa terra - um medo repetido de que o declínio da América é inevitável, e que a próxima geração deve diminuir suas perspectivas.

Hoje eu digo a vocês que os desafios que nós enfrentamos são reais. Eles são sérios e são muitos. Eles não serão vencidos facilmente ou em um período curto de tempo. Mas saiba disso,

América: eles serão vencidos.

Nesse dia, nos reunimos porque nós escolhemos a esperança em vez do medo, a unidade de propósito em vez do conflito e da discórdia.

Nesse dia, nós viemos para proclamar o fim às queixas mesquinhas e falsas promessas, às recriminações e aos dogmas desgastados, que por muito tempo já têm enfraquecido nossa política.

Nós continuamos uma nação jovem, mas de acordo com as palavras da Escritura, chegou a hora de se deixar de lado as infantilidades. Chegou a hora para reafirmar nosso espírito tolerante; para escolher nossa melhor história; para prosseguir com esse precioso dom, essa nobre ideia, passada de geração a geração: a promessa dada por Deus de que todos somos iguais, todos somos livres e todos merecem uma chance de buscar sua completa medida de felicidade.

Ao reafirmar a grandiosidade de nossa nação, nós entendemos que a grandeza nunca é dada. Ela deve ser conquistada. Nossa jornada nunca foi de atalhos ou de aceitar menos. Não foi a trilha dos inseguros - daqueles que preferem o descanso ao trabalho, buscam apenas os prazeres das riquezas e da fama. Em vez disso, (nossa jornada) tem sido uma de tomadores de risco, atuantes, fazedores das coisas - alguns celebrados, mas muitos outros homens e mulheres obscuros em seu trabalho - que nos levaram pela longa e espinhosa rota rumo à prosperidade e à liberdade.

Para nós, eles empacotaram suas poucas posses e viajaram pelos oceanos em busca de uma nova vida.

Para nós, eles trabalharam duro em fábricas exploradoras e seguiram rumo a Oeste; suportaram o açoite do chicote e lavraram a terra dura.

Para nós, eles lutaram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg; Normandy e Khe Sahn.

Ao longo do tempo, esses homens e mulheres lutaram e se sacrificaram e trabalharam até suas mãos ficarem em carne viva, para que pudéssemos ter uma vida melhor. Eles viram a América maior do que a soma de suas ambições individuais; maior que todas as diferenças de nascimento ou riqueza ou facção.

Essa é a jornada que nós continuamos hoje. Nós permanecemos a mais próspera e poderosa nação da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando essa crise começou. Nossas mentes não têm menos imaginação, nossas mercadorias e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Nossa capacidade permanece a mesma. Mas nossa hora de proteger interesses estreitos e adiar decisões desagradáveis - esse tempo certamente passou. Começando hoje, nós precisamos nos levantar e começar de novo o trabalho de reconstruir a América.

Para todos os lugares que olhemos, existe trabalho a ser feito. A situação da nossa economia pede ação, ágil e rápida, e nós agiremos - não apenas para criar novos empregos, mas para lançar a fundação para o crescimento. Nós construiremos as estradas e pontes, as instalações elétricas e linhas digitais que alimentam nosso comércio e nos mantém juntos. Nós levaremos a ciência a seu lugar de merecimento e controlaremos as maravilhas da tecnologia para aumentar a qualidade do sistema de saúde e reduzir seu custo.

Nós usaremos o Sol e os ventos e o solo para abastecer nossos carros e movimentar nossas fábricas. Nós transformaremos nossas escolas, faculdades e universidades para suprir as demandas de uma nova era. Tudo isso nós podemos fazer. E tudo isso nós faremos.

Agora, existem alguns que questionam a escala das nossas ambições - que sugerem que nosso sistema não pode aguentar planos tão grandiosos. Eles têm memória curta. Porque eles se esqueceram de tudo o que nosso país fez; o que homens e mulheres livres podem conseguir quando a imaginação se junta para objetivos comuns e a necessidade para a coragem. 

O que os cínicos não entendem é que o chão que eles pisam não é mais o mesmo - que as disputas políticas que nos envolveram por muito tempo não existem mais. A questão que perguntamos hoje não é se nosso governo é muito grande ou muito pequeno, mas se ele funciona - se ele ajuda as famílias a encontrarem empregos que pagam um salário decente, que tipo de seguridade eles dão, uma aposentadoria que seja digna. Onde a resposta é sim, nós queremos ir em frente. Onde a resposta é não, os programas acabarão. E aqueles de nós que manejam os dólares públicos terão que prestar contas - para gastar de maneira sábia, reformar maus hábitos, e fazer nossos negócios à luz do dia - porque apenas assim nós podemos restaurar a confiança vital entre o povo e o governo.

Também não á a questão que se apresenta a nós se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. Seu poder de gerar riquezas e expandir a liberdade é ilimitado, mas esta crise nos fez lembrar que sem vigilância, o mercado pode sair do controle - e uma nação não pode prosperar por muito tempo quando favorece apenas os mais ricos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho do nosso Produto Interno Bruto (PIB), mas do poder da nossa prosperidade; na nossa habilidade de estendê-la a cada um, não por caridade, mas porque esse é o caminho mais seguro para o bem comum.

Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos a falsa escolha entre nossa segurança e nossos ideais. Os fundadores do país, que enfrentaram perigos que sequer imaginamos, redigiram uma carta para assegurar o primado da lei e dos direitos do homem, uma carta expandida pelo sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e nós não vamos abandoná-los por conveniência. E, então, para todos os povos e governos que estão assistindo hoje, das grandes capitais ao pequeno vilarejo onde meu pai nasceu: Saibam que a América é amiga de cada nação e de cada homem, mulher ou criança que procure um futuro de paz e dignidade, e que nós estamos prontos para liderar uma vez mais.

Lembrem-se que gerações anteriores enfrentaram o fascismo e o comunismo não apenas com mísseis e tanques, mas com alianças robustas e convicções duradouras. Eles entenderam que nosso poder sozinho não pode nos proteger, nem nos dá o direito de fazer o que quisermos. Em vez disso, eles entenderam que nosso poder cresce com seu uso prudente; nossa segurança emana da Justiça de nossa causa, da força de nosso exemplo, da têmpera das qualidades de humildade e moderação.

Nós somos os guardiães desse legado. Guiados por esses princípios uma vez mais, podemos enfrentar novas ameaças que exigem um esforço maior - maior cooperação e compreensão entre as nações. Começaremos por sair do Iraque com responsabilidade e por criar um esforço de paz no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos adversários vamos trabalhar incansavelmente para diminuir a ameaça nuclear, e reduzir o espectro do aquecimento global. Não vamos pedir desculpas por nosso modo de vida, nem vamos vacilar em sua defesa, e, para aqueles que procurarem avançar em seus objetivos produzindo terror e matando inocentes, diremos a eles que nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado; eles não poderão prevalecer e nós os derrotaremos.

Sabemos que nossa herança multicultural é uma força, não uma fraqueza. Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus - e ateus. Somos moldados por cada língua e cultura, de cada parte desta Terra; e por causa disso provamos o sabor mais amargo da guerra civil e da segregação e emergimos desse capítulo mais fortes e mais unidos; não podemos senão acreditar que os velhos ódios passarão um dia; que as linhas das tribos vão se dissolver rapidamente; que o mundo ficará menor, nossa humanidade comum deve revelar-se; e que a América vai desempenhar o seu papel em uma nova era de paz.

Para o mundo muçulmano, buscamos um novo caminho a seguir, baseado em interesse e respeito mútuo. Para aqueles líderes pelo mundo que buscam semear o conflito, ou culpam o Ocidente pelos males de suas sociedades: Saibam que seus povos irão julgá-los a partir do que vocês podem construir, e não destruir. Para aqueles que se agarram ao poder por meio da fraude e da corrupção, saibam que estão no lado errado da História; mas nós estenderemos a mão se vocês estiverem dispostos a cooperar.

Às pessoas das nações pobres, nós queremos trabalhar a seu lado para fazer suas fazendas florescerem e deixar os cursos de água limpa fluírem; para nutrir corpos famintos e alimentar mentes ávidas. E para aquelas nações como a nossa, que vivem em relativa riqueza, queremos dizer que não podemos mais suportar a indiferença quanto ao sofrimento daqueles que sofrem fora de nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem nos importar com as consequências. Nós devemos acompanhar as mudanças do mundo.

À medida que entendemos o caminho que se desdobra diante de nós, recordamos com humilde gratidão aqueles bravos americanos que, a esta mesma hora, patrulham longínquos desertos e montanhas distantes. Eles têm algo a nos dizer hoje, como aqueles heróis caídos que jazem em Arlington murmuram através dos tempos. Nós os honramos não apenas porque eles não os guardiães de nossa liberdade, mas porque eles representam o espírito de servir ao país; a disposição de encontrar um significado maior que si mesmos. E ainda, neste momento - um momento que vai definir uma geração - é precisamente esse espírito que todos nós devemos viver.

Porque, por mais que o governo possa fazer e precise fazer, em última instância é da fé e da determinação do povo americano que esta nação depende. É a bondade de receber um estranho quando os diques se rompem, é o desprendimento de trabalhadores que preferem reduzir suas horas a ver um companheiro perder o emprego o que nos auxilia em nossas horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro de subir uma escada cheia de fumaça, mas também a disposição de pais de criar uma criança o que, no fim das contas, decide o nosso destino.

Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com os quais nós os enfrentamos podem ser novos. Mas aqueles valores dos quais nosso sucesso depende - trabalho duro e honestidade, coragem e justiça, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo - essas coisas são antigas. Essas coisas são verdadeiras. Elas têm sido a força quieta do progresso ao longo de nossa história. O que se exige, então, é uma volta a essas verdades. O que se exige de nós agora é uma nova era de responsabilidade - um reconhecimento, por parte de todo americano, de que nós temos deveres para conosco, nossa nação e o mundo; deveres que nós não aceitamos a contragosto, mas com alegria, firmes no conhecimento de que não há nada tão satisfatório para o espírito, tão definidor de nosso caráter, do que dar tudo o que podemos numa tarefa difícil.

Este é o preço e a promessa da cidadania.

Esta é a fonte de nossa confiança - o conhecimento de que Deus nos convoca a dar forma a um destino incerto.

Este é o significado de nossa liberdade e de nosso credo - por que homens e mulheres e crianças de toda raça e de toda fé podem se unir numa celebração neste magnífico Mall, e por que um homem cujo pai, menos de 60 anos atrás, poderia não ser servido num restaurante local, agora pode estar diante de vocês para fazer um juramento sagrado.

Por isso, vamos marcar esse dia com a lembrança de quem somos e quão longe viajamos. No ano do nascimento da América, no mais frio dos meses, um pequeno grupo de patriotas se encolhia em torno de fogueiras que se apagavam, às margens de um rio gelado. A capital estava abandonada. O inimigo estava avançando. A neve estava manchada de sangue. Num momento em que nossa revolução estava em dúvida, o pai de nossa nação ordenou que essas palavras fossem lidas para o povo:

"Que seja dito ao mundo futuro que, na profundidade do inverno, quando nada além da esperança e da virtude poderia sobreviver, a cidade e o país, alarmados diante de um perigo comum, saiu para enfrentá-lo."

América. Em face de nossos perigos comuns, neste inverno de nossas dificuldades, vamos lembrar essas palavras eternas. Com esperança e virtude, vamos enfrentar uma vez mais as correntes geladas e resistir quaisquer tempestades que possam vir. Que seja dito pelos filhos de nossos filhos que, quando fomos testados, nós nos recusamos a deixar esta jornada terminar, que nós não viramos as costas, que nós não vacilamos; e, com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levamos adiante o grande dom da liberdade e o entregamos com segurança paras as gerações futura".



 Escrito por Lilia Trajano às 11h03 AM
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Não precisa Moral...

 Certa vez, quatro meninos foram ao campo e, por  100 euros compraram o burro de um velho camponês.

 O   homem combinou entregar-lhes o animal no dia seguinte.

Mas, quando eles voltaram para levar o burro, o camponês disse-lhes: - Sinto muito, amigos, mas tenho uma má noticia o burro morreu.

 - Então devolva-nos o dinheiro!                                                     

 - Não posso, já o gastei todo.

 - Então, de qualquer forma, queremos o burro.

 - E para que o querem? O que vão fazer com ele?

 - Nós vamos rifá-lo.

 - Estão loucos? Como vão rifar um burro morto?

- Obviamente, não vamos dizer a ninguém que ele está morto.  

Um mês depois, o camponês encontrou-se novamente com os quatro garotos e perguntou-lhes:

- E então, o que aconteceu com o burro?

- Como lhe dissemos, nós rifamo-lo. Vendemos 500 rifas a 2 euros cada uma e arrecadamos 1.000 euros.

- E ninguém se queixou?

- Só o ganhador, por não devolvemos-lhe os 2 euros e pronto!

 

O IMORAL DA HISTÓRIA:

Os quatro meninos cresceram.

Um fundou um banco chamado “BCP”,

 Outro uma empresa chamada “SONAE” ;

 Outro uma igreja chamada “Universal”

 E o último um partido polí­tico chamado “PS”.

 E estão agora a governar Portugal !!!!

 

 



 Escrito por Lilia Trajano às 12h11 PM
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A morte tem cheiro?

Hoje me ocorreu a vontade de relatar mais uma vez sobre a morte.

Desde que nascemos à morte fica a fazer parte de nossa vida. Contudo esperamos sempre que ela venha bem tarde, queremos e desejamos passar pela vida e fazermos tudo que gostaríamos de fazer, desde acordar tarde, comer o que for menos nutritivo possível, gorduroso e frito, e engordar se assim for, não nos preocuparmos com que o outro vai pensar de nossa aparência, e depois seguir nossos instintos.

Eloá, assim com eu e você, também queria o mesmo, queria viver!

Correr em busca da sua juventude, ir ‘ficando’ como dizem os jovens, com uns e com outros, ainda é cedo para se pensar que temos que nos ‘amarrar’ definitivamente em alguém.

Agora percebo com dor, porque Eloá, não queria ‘ficar’ mais com seu ex-namorado, talvez no seu íntimo ela tenha visto ou sentido o que ele era capaz de fazer e acabou por fazê-lo.

Eloá deixa o corpo físico, mas seus órgãos espalhados por cidades afora, irá fazer com que ela permaneça viva, dentro de quem dele se beneficiar. Talvez, dessa maneira, ela consiga fazer com que os seus sonhos e ideais permaneçam a lutar pela vida.

A morte tem cheiro, penso que de uva estragada, daquelas que quando a gente abre a geladeira o mal cheiro já está todo espalhado e a gente fica sem saber ao certo de onde é que vem o cheiro. Vem da uva estragada, e a uva estragada ou podre, é o processo da morte, que começa por corroer todos os órgãos vivos, e depois lentamente, tudo vai morrendo. Mas aqui a morte durou mais de 100 horas, e, no entanto, foi num desfecho fulminante de um tiro, que ela se tornou real.

A morte tem cheiro sim, tem cheiro de algo que nos destrói por dentro quando vemos a violência crescer através das imagens da TV, feliz eu era no tempo em que não havia TV, porque minha família se reunia para contar histórias, algumas tristes, outras misteriosas, outras até engraçadas, mas hoje a TV e o jornalismo sensacionalista é que enchem a nossa casa, e ficamos estarrecidos porque o que vemos é real, não é um conto da carochinha.

É assim que a morte acaba sempre por ter um momento exclusivo da minha escrita, porque ela vem sempre acompanhada desse cheiro de uva estragada, talvez por isso eu não goste de comer uvas.

Texto feito em homenagem a Eloá após a sua morte cerebral.

Lilia Trajano



 Escrito por Lilia Trajano às 12h04 PM
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C A I X I N H A  D E    F Ó S F O R O S

 

Para: Maria Bethânia e Dinorah que sabem fazer coisas lindas com papeis e caixas.

 

Minhas filhas e meus netos lembrarem sempre do reflexo do espelho.

Graça Ferreira que enche de sons as caixas vazias. 

           Mabel Velloso

 

Era uma vez uma caixinha de fósforos. Não uma caixinha qualquer. Era uma caixinha, especial, diferente das outras. Seus pauzinhos já haviam acabado mas a caixinha estava ali, firme, sendo necessária. Quem a tornou diferente das demais caixas foi aquela menina de sardas jogadas em todo rostinho, de sorriso bonito e olhos muito vivos.

Um dia a menina estava sem brinquedos novos e quis um brinquedo inventar. Lembrou das conversas com a mãe que lhe contava não ter tido brinquedos comprados em lojas, que os seus  foram bonecas de pano e mobílias feitas de caixas de fósforos. Resolveu fazer uma mobília para a casinha das suas bonecas. Com as caixas vazias fez cadeiras, armários, camas e mesas.

Sobrou uma caixinha já forrada. A menina gostou dela, bonita, solta no meio da sala junto aos brinquedos.

A menina olhou a caixinha e pensou: não vou deixar esta caixa à-toa. Forrada de papel era uma graça aquela caixa vestida de azul. Gostou mais até do que das cadeiras, mesa, armários onde as outras caixas coladas viraram mobília.

A caixinha forrada passou a ocupar o primeiro lugar no cari-

nho da menina. Estava sempre junto da cama, naquela mesinha de cabeceira.

Lá um dia, entre uma brincadeira e outra a menina colocou um pedaço de espelho dentro da caixa. Olhando para dentro viu o seu rosto ali refletido, suas sardas dando graça às bochechas e ao pequeno nariz. Viu seus olhos brilharem no fundo da caixa e sorriu. Seus dentes, branquinhos surgiram e todo seu riso tomou o espaço. A caixinha era só alegria!  O espelho feliz refletindo a risada!  

Certa vez um menino que achava ruim tudo em redor, brigou com a menina chamando-a de feia, de sardenta e de chata. A menina correu para casa abriu a caixinha pra contar o que houve e viu lá no fundo a dor refletida, o choro na cara. A caixinha tão triste...

A partir daquele momento a menina começou a pensar mil coisas e descobriu que seu lado de fora e seu lado de dentro a caixinha mostrava. Tudo que acontecia de importante a menina queria saber o que a caixinha pensava e olhava lá no fundo do seu espelho e as res- postas chegavam.

O tempo foi passando e a menina entendendo que se tristeza ou alegria passavam por ela a caixinha sentia.

Prestava atenção nas horas do medo quando o pai e a mãe saiam a passeio e ela ficava sozinha. Se olhava a caixinha, lá dentro, escondida, encontrava a tristeza que o medo traz. Nas horas de aula, sabendo toda a lição, olhava a caixinha e nos olhos brilhantes que a caixa mostrava, sabia que um 10 contente a esperava. 

Cada dia uma descoberta, cada dia um segredo guardado,  uma coisa nova a caixinha mostrava.

Uma noite a menina sentiu que estava doente. O corpo doía, não teve ânimo para se levantar. Faltou à Escola. Ficou deitadinha, tomando remédios. Lembrou da caixinha e olhou dentro dela e viu que a caixinha também tinha febre e olhos vermelhos e sarampo na pele.

Certa vez, numa praia brincando nas ondas, aproveitando o azul do céu e do mar, correu encharcada e sentou na toalha estendida na areia, abriu a sacola olhou a caixinha e viu refletido o rosto queimado e as sardas mais vivas brincando na cara. O riso aberto na caixa apertada contava a alegria daquele momento.

Passou muito tempo. A menina cresceu. Levava a caixinha pra todo lugar, até nas viagens levava a caixinha, mas já não lembrava de olhar seus segredos guardados na caixa. O tempo era curto pra buscar outra vez aquele mistério da sua caixinha. Andava sem tempo cansada, correndo. Estudos, trabalho, amigos, paixões...  

Um dia a tristeza bateu na menina que estava mudada, estava uma moça carregada de amores e de mil ilusões. Naquele momento lembrou da caixinha. Puxou com cuidado a parte de dentro olhou para o fundo e viu outra vez seus olhos, seu rosto ali refletidos. Teve saudade do tempo passado, da sua mobília deixada de lado, das suas bonecas escondidas no ontem, começou a chorar. Sem se dar conta olhou outra vez lá dentro da caixa e viu nos olhinhos da caixa guardados também uma lágrima tristinha correr...

 

Texto enviado por Mabel Velloso a Lilia Trajano

            

 

 

 



 Escrito por Lilia Trajano às 11h26 AM
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O TEMPO QUE NÃO VOOU

 

Sinto saudades

Do perfume que não conheço

Do beijo que não ganhei

 

Sinto saudades

Do cheiro da tua pele

A espalhar semente

A florescer no ar

 

Confesso que vi tudo assim…

Meio sem saída

Quem sabe estava de saída?

Uma esquina, estrada

Tudo a baralhar a vida

O cheiro que não conheço

Lugar por onde não passei

Mas que me deixaram marcas

E deixaram as marcas dos meus pés

Descalços sobre a tua rua molhada

Pela garoa fina que cruza o espaço

 

Teus lábios que não beijei

Lábios molhados

Que me deixou na boca

O sabor da saudade

Do querer mais do que não querer

Do querer sem saber se, se pode querer

 

Teu cheiro no meu silencio

A invadir a sombra do apartamento

A desnudar a lua

Trazendo tua imagem

Nua...

Sobre o sim

Talvez, não sei

O beijo que não provei

Do sonho que despertei

 

Você e eu na tela

Estática e virtual

Que num canto sentado

Espera novo dia, nova hora

A hora de ir embora.

 

Tenho saudades

Das carícias que não te fiz

Das gargalhadas altas

Que ecoa pela casa toda

Como a me despertar, a me dizer

Enfim, a vida vai até aqui

 

Saudades dos anos que não vivi

Saudades dos sons que não ouvi

Do conto que não te fiz

De passar a mão suavemente

Sobre a tua pele branca

Acariciar teu corpo

E te ver dormir.

 

Lilia Trajano

03.05.06

 



 Escrito por Lilia Trajano às 05h35 PM
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Eu com estandarte de São João Batista meu mestre querido, em Madrid na gravaça do filme Fados de Carlos Saura

Janeiro de 2007. Lilia Trajano



 Escrito por Lilia Trajano às 04h58 PM
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