O projeto Cineclube Curta Circuito abre sua programação do mês de junho hoje com a mostra Panoramas - O Visual do Áudio. Serão exibidos filmes sobre grandes nomes da música brasileira, como Maria Bethânia, Tim Maia e os Mutantes.
No mês passado, a programação da mostra tinha um tema central, que se refletia nas programações semanais, o que não acontece no mês de junho. "Em maio, todas as seleções foram pensadas com o tema Cidades. E este mês será o contrário: não há temática específica", explica Igor Amin, coordenador do Curta Circuito.
Entretanto, Igor explica, as seleções semanais continuam mantendo sua unidade. "Sempre tem uma lógica, e as exibições seguem uma linha de curadoria", afirma Igor, sobre a seleção de hoje. Panoramas - O Visual do Áudio. Trata-se de uma seleção de filmes sobre música, com enfoque maior sobre os músicos.
Os filmes. "Bethânia Bem de Perto", de 1966, é um média-metragem de pouco mais de 30 minutos que abre a noite. O filme de Júlio Bressane e Eduardo Escorel acompanha a cantora ainda recém-chegada no Rio de Janeiro, em seu dia-a-dia passeando pela cidade, em casa ou na companhia de amigos.
No caso, o interessante nas conversas são, principalmente, os tais amigos: Jards macalé, Rosinha Valença e Caetano Veloso.
Na sequência, "Tim Maia", de 1987, documentário que registra cenas do cantor nos bastidores de um show e num passeio pela orla da praia.
Nos moldes de Bethânia, "Mutantes", de Antônio Carlos da Fontoura, acompanhando a banda homônima em um dia ordinário, pelas ruas de São Paulo.
"Afinação da Interioridade", de Roberto Berliner, completa a seleção. Com duração de um minuto, o curta é um pequeno fenômeno da Internet e faz uma brincadeira com o cantor e compositor Gilberto Gil.
Discurso de posse - 20 de Janeiro de 2009.
"Meus caros cidadãos:
Eu me coloco aqui hoje humildemente diante da tarefa à nossa frente, grato pela confiança com que vocês me honraram, ciente dos sacrifícios realizados pelos nossos ancestrais. Eu agradeço ao presidente Bush pelo seu serviço à nossa nação, bem como pela generosidade e cooperação que ele mostrou ao longo da transição.
Quarenta e quatro americanos agora já fizeram o juramento presidencial. As palavras foram ditas durante crescentes marés de prosperidade e as águas calmas da paz. Mas, de tempos em tempos, o juramento é realizado entre nuvens que se formam e tempestades violentas. Nesses momentos, a América seguiu à frente não somente pela habilidade ou visão dos que estavam no alto escalão, mas porque Nós o Povo permanecemos confiantes nos ideais dos nossos ancestrais e fiéis aos nossos documentos fundadores.
Assim tem sido. Assim deve ser com essa geração de americanos.
Que nós estamos em meio a uma crise é agora bem sabido. Nossa nação está em guerra, contra uma rede de longo alcance de violência e ódio. Nossa economia está bastante enfraquecida, em consequência da ganância e irresponsabilidade por parte de alguns, mas também por nosso fracasso coletivo em fazer escolhas difíceis e preparar a nação para uma nova era. Casas foram perdidas; empregos cortados; negócios fechados. Nosso sistema de saúde está muito dispendioso; nossas escolas fracassam com muitos; e cada dia traz novas evidências de que as formas como usamos a energia fortalecem nossos adversários e ameaçam nosso planeta.
Esses são os indicadores da crise, assunto de dados e estatísticas. Menos mensurável, mas não menos profundo, é o enfraquecimento da confiança ao longo de nossa terra - um medo repetido de que o declínio da América é inevitável, e que a próxima geração deve diminuir suas perspectivas.
Hoje eu digo a vocês que os desafios que nós enfrentamos são reais. Eles são sérios e são muitos. Eles não serão vencidos facilmente ou em um período curto de tempo. Mas saiba disso,
América: eles serão vencidos.
Nesse dia, nos reunimos porque nós escolhemos a esperança em vez do medo, a unidade de propósito em vez do conflito e da discórdia.
Nesse dia, nós viemos para proclamar o fim às queixas mesquinhas e falsas promessas, às recriminações e aos dogmas desgastados, que por muito tempo já têm enfraquecido nossa política.
Nós continuamos uma nação jovem, mas de acordo com as palavras da Escritura, chegou a hora de se deixar de lado as infantilidades. Chegou a hora para reafirmar nosso espírito tolerante; para escolher nossa melhor história; para prosseguir com esse precioso dom, essa nobre ideia, passada de geração a geração: a promessa dada por Deus de que todos somos iguais, todos somos livres e todos merecem uma chance de buscar sua completa medida de felicidade.
Ao reafirmar a grandiosidade de nossa nação, nós entendemos que a grandeza nunca é dada. Ela deve ser conquistada. Nossa jornada nunca foi de atalhos ou de aceitar menos. Não foi a trilha dos inseguros - daqueles que preferem o descanso ao trabalho, buscam apenas os prazeres das riquezas e da fama. Em vez disso, (nossa jornada) tem sido uma de tomadores de risco, atuantes, fazedores das coisas - alguns celebrados, mas muitos outros homens e mulheres obscuros em seu trabalho - que nos levaram pela longa e espinhosa rota rumo à prosperidade e à liberdade.
Para nós, eles empacotaram suas poucas posses e viajaram pelos oceanos em busca de uma nova vida.
Para nós, eles trabalharam duro em fábricas exploradoras e seguiram rumo a Oeste; suportaram o açoite do chicote e lavraram a terra dura.
Para nós, eles lutaram e morreram, em lugares como Concord e Gettysburg; Normandy e Khe Sahn.
Ao longo do tempo, esses homens e mulheres lutaram e se sacrificaram e trabalharam até suas mãos ficarem em carne viva, para que pudéssemos ter uma vida melhor. Eles viram a América maior do que a soma de suas ambições individuais; maior que todas as diferenças de nascimento ou riqueza ou facção.
Essa é a jornada que nós continuamos hoje. Nós permanecemos a mais próspera e poderosa nação da Terra. Nossos trabalhadores não são menos produtivos do que quando essa crise começou. Nossas mentes não têm menos imaginação, nossas mercadorias e serviços não são menos necessários do que eram na semana passada, no mês passado ou no ano passado. Nossa capacidade permanece a mesma. Mas nossa hora de proteger interesses estreitos e adiar decisões desagradáveis - esse tempo certamente passou. Começando hoje, nós precisamos nos levantar e começar de novo o trabalho de reconstruir a América.
Para todos os lugares que olhemos, existe trabalho a ser feito. A situação da nossa economia pede ação, ágil e rápida, e nós agiremos - não apenas para criar novos empregos, mas para lançar a fundação para o crescimento. Nós construiremos as estradas e pontes, as instalações elétricas e linhas digitais que alimentam nosso comércio e nos mantém juntos. Nós levaremos a ciência a seu lugar de merecimento e controlaremos as maravilhas da tecnologia para aumentar a qualidade do sistema de saúde e reduzir seu custo.
Nós usaremos o Sol e os ventos e o solo para abastecer nossos carros e movimentar nossas fábricas. Nós transformaremos nossas escolas, faculdades e universidades para suprir as demandas de uma nova era. Tudo isso nós podemos fazer. E tudo isso nós faremos.
Agora, existem alguns que questionam a escala das nossas ambições - que sugerem que nosso sistema não pode aguentar planos tão grandiosos. Eles têm memória curta. Porque eles se esqueceram de tudo o que nosso país fez; o que homens e mulheres livres podem conseguir quando a imaginação se junta para objetivos comuns e a necessidade para a coragem.
O que os cínicos não entendem é que o chão que eles pisam não é mais o mesmo - que as disputas políticas que nos envolveram por muito tempo não existem mais. A questão que perguntamos hoje não é se nosso governo é muito grande ou muito pequeno, mas se ele funciona - se ele ajuda as famílias a encontrarem empregos que pagam um salário decente, que tipo de seguridade eles dão, uma aposentadoria que seja digna. Onde a resposta é sim, nós queremos ir em frente. Onde a resposta é não, os programas acabarão. E aqueles de nós que manejam os dólares públicos terão que prestar contas - para gastar de maneira sábia, reformar maus hábitos, e fazer nossos negócios à luz do dia - porque apenas assim nós podemos restaurar a confiança vital entre o povo e o governo.
Também não á a questão que se apresenta a nós se o mercado é uma força para o bem ou para o mal. Seu poder de gerar riquezas e expandir a liberdade é ilimitado, mas esta crise nos fez lembrar que sem vigilância, o mercado pode sair do controle - e uma nação não pode prosperar por muito tempo quando favorece apenas os mais ricos. O sucesso da nossa economia sempre dependeu não apenas do tamanho do nosso Produto Interno Bruto (PIB), mas do poder da nossa prosperidade; na nossa habilidade de estendê-la a cada um, não por caridade, mas porque esse é o caminho mais seguro para o bem comum.
Quanto à nossa defesa comum, rejeitamos a falsa escolha entre nossa segurança e nossos ideais. Os fundadores do país, que enfrentaram perigos que sequer imaginamos, redigiram uma carta para assegurar o primado da lei e dos direitos do homem, uma carta expandida pelo sangue de gerações. Esses ideais ainda iluminam o mundo, e nós não vamos abandoná-los por conveniência. E, então, para todos os povos e governos que estão assistindo hoje, das grandes capitais ao pequeno vilarejo onde meu pai nasceu: Saibam que a América é amiga de cada nação e de cada homem, mulher ou criança que procure um futuro de paz e dignidade, e que nós estamos prontos para liderar uma vez mais.
Lembrem-se que gerações anteriores enfrentaram o fascismo e o comunismo não apenas com mísseis e tanques, mas com alianças robustas e convicções duradouras. Eles entenderam que nosso poder sozinho não pode nos proteger, nem nos dá o direito de fazer o que quisermos. Em vez disso, eles entenderam que nosso poder cresce com seu uso prudente; nossa segurança emana da Justiça de nossa causa, da força de nosso exemplo, da têmpera das qualidades de humildade e moderação.
Nós somos os guardiães desse legado. Guiados por esses princípios uma vez mais, podemos enfrentar novas ameaças que exigem um esforço maior - maior cooperação e compreensão entre as nações. Começaremos por sair do Iraque com responsabilidade e por criar um esforço de paz no Afeganistão. Com velhos amigos e antigos adversários vamos trabalhar incansavelmente para diminuir a ameaça nuclear, e reduzir o espectro do aquecimento global. Não vamos pedir desculpas por nosso modo de vida, nem vamos vacilar em sua defesa, e, para aqueles que procurarem avançar em seus objetivos produzindo terror e matando inocentes, diremos a eles que nosso espírito é mais forte e não pode ser quebrado; eles não poderão prevalecer e nós os derrotaremos.
Sabemos que nossa herança multicultural é uma força, não uma fraqueza. Somos uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus - e ateus. Somos moldados por cada língua e cultura, de cada parte desta Terra; e por causa disso provamos o sabor mais amargo da guerra civil e da segregação e emergimos desse capítulo mais fortes e mais unidos; não podemos senão acreditar que os velhos ódios passarão um dia; que as linhas das tribos vão se dissolver rapidamente; que o mundo ficará menor, nossa humanidade comum deve revelar-se; e que a América vai desempenhar o seu papel em uma nova era de paz.
Para o mundo muçulmano, buscamos um novo caminho a seguir, baseado em interesse e respeito mútuo. Para aqueles líderes pelo mundo que buscam semear o conflito, ou culpam o Ocidente pelos males de suas sociedades: Saibam que seus povos irão julgá-los a partir do que vocês podem construir, e não destruir. Para aqueles que se agarram ao poder por meio da fraude e da corrupção, saibam que estão no lado errado da História; mas nós estenderemos a mão se vocês estiverem dispostos a cooperar.
Às pessoas das nações pobres, nós queremos trabalhar a seu lado para fazer suas fazendas florescerem e deixar os cursos de água limpa fluírem; para nutrir corpos famintos e alimentar mentes ávidas. E para aquelas nações como a nossa, que vivem em relativa riqueza, queremos dizer que não podemos mais suportar a indiferença quanto ao sofrimento daqueles que sofrem fora de nossas fronteiras; nem podemos consumir os recursos do mundo sem nos importar com as consequências. Nós devemos acompanhar as mudanças do mundo.
À medida que entendemos o caminho que se desdobra diante de nós, recordamos com humilde gratidão aqueles bravos americanos que, a esta mesma hora, patrulham longínquos desertos e montanhas distantes. Eles têm algo a nos dizer hoje, como aqueles heróis caídos que jazem em Arlington murmuram através dos tempos. Nós os honramos não apenas porque eles não os guardiães de nossa liberdade, mas porque eles representam o espírito de servir ao país; a disposição de encontrar um significado maior que si mesmos. E ainda, neste momento - um momento que vai definir uma geração - é precisamente esse espírito que todos nós devemos viver.
Porque, por mais que o governo possa fazer e precise fazer, em última instância é da fé e da determinação do povo americano que esta nação depende. É a bondade de receber um estranho quando os diques se rompem, é o desprendimento de trabalhadores que preferem reduzir suas horas a ver um companheiro perder o emprego o que nos auxilia em nossas horas mais sombrias. É a coragem do bombeiro de subir uma escada cheia de fumaça, mas também a disposição de pais de criar uma criança o que, no fim das contas, decide o nosso destino.
Nossos desafios podem ser novos. Os instrumentos com os quais nós os enfrentamos podem ser novos. Mas aqueles valores dos quais nosso sucesso depende - trabalho duro e honestidade, coragem e justiça, tolerância e curiosidade, lealdade e patriotismo - essas coisas são antigas. Essas coisas são verdadeiras. Elas têm sido a força quieta do progresso ao longo de nossa história. O que se exige, então, é uma volta a essas verdades. O que se exige de nós agora é uma nova era de responsabilidade - um reconhecimento, por parte de todo americano, de que nós temos deveres para conosco, nossa nação e o mundo; deveres que nós não aceitamos a contragosto, mas com alegria, firmes no conhecimento de que não há nada tão satisfatório para o espírito, tão definidor de nosso caráter, do que dar tudo o que podemos numa tarefa difícil.
Este é o preço e a promessa da cidadania.
Esta é a fonte de nossa confiança - o conhecimento de que Deus nos convoca a dar forma a um destino incerto.
Este é o significado de nossa liberdade e de nosso credo - por que homens e mulheres e crianças de toda raça e de toda fé podem se unir numa celebração neste magnífico Mall, e por que um homem cujo pai, menos de 60 anos atrás, poderia não ser servido num restaurante local, agora pode estar diante de vocês para fazer um juramento sagrado.
Por isso, vamos marcar esse dia com a lembrança de quem somos e quão longe viajamos. No ano do nascimento da América, no mais frio dos meses, um pequeno grupo de patriotas se encolhia em torno de fogueiras que se apagavam, às margens de um rio gelado. A capital estava abandonada. O inimigo estava avançando. A neve estava manchada de sangue. Num momento em que nossa revolução estava em dúvida, o pai de nossa nação ordenou que essas palavras fossem lidas para o povo:
"Que seja dito ao mundo futuro que, na profundidade do inverno, quando nada além da esperança e da virtude poderia sobreviver, a cidade e o país, alarmados diante de um perigo comum, saiu para enfrentá-lo."
América. Em face de nossos perigos comuns, neste inverno de nossas dificuldades, vamos lembrar essas palavras eternas. Com esperança e virtude, vamos enfrentar uma vez mais as correntes geladas e resistir quaisquer tempestades que possam vir. Que seja dito pelos filhos de nossos filhos que, quando fomos testados, nós nos recusamos a deixar esta jornada terminar, que nós não viramos as costas, que nós não vacilamos; e, com os olhos fixos no horizonte e a graça de Deus sobre nós, levamos adiante o grande dom da liberdade e o entregamos com segurança paras as gerações futura".
Não precisa Moral...
Certa vez, quatro meninos foram ao campo e, por 100 euros compraram o burro de um velho camponês.
O homem combinou entregar-lhes o animal no dia seguinte.
Mas, quando eles voltaram para levar o burro, o camponês disse-lhes: - Sinto muito, amigos, mas tenho uma má noticia o burro morreu.
- Então devolva-nos o dinheiro!
- Não posso, já o gastei todo.
- Então, de qualquer forma, queremos o burro.
- E para que o querem? O que vão fazer com ele?
- Nós vamos rifá-lo.
- Estão loucos? Como vão rifar um burro morto?
- Obviamente, não vamos dizer a ninguém que ele está morto.
Um mês depois, o camponês encontrou-se novamente com os quatro garotos e perguntou-lhes:
- E então, o que aconteceu com o burro?
- Como lhe dissemos, nós rifamo-lo. Vendemos 500 rifas a 2 euros cada uma e arrecadamos 1.000 euros.
- E ninguém se queixou?
- Só o ganhador, por não devolvemos-lhe os 2 euros e pronto!
O IMORAL DA HISTÓRIA:
Os quatro meninos cresceram.
Um fundou um banco chamado “BCP”,
Outro uma empresa chamada “SONAE” ;
Outro uma igreja chamada “Universal”
E o último um partido político chamado “PS”.
E estão agora a governar Portugal !!!!
A morte tem cheiro?
Hoje me ocorreu a vontade de relatar mais uma vez sobre a morte.
Desde que nascemos à morte fica a fazer parte de nossa vida. Contudo esperamos sempre que ela venha bem tarde, queremos e desejamos passar pela vida e fazermos tudo que gostaríamos de fazer, desde acordar tarde, comer o que for menos nutritivo possível, gorduroso e frito, e engordar se assim for, não nos preocuparmos com que o outro vai pensar de nossa aparência, e depois seguir nossos instintos.
Eloá, assim com eu e você, também queria o mesmo, queria viver!
Correr em busca da sua juventude, ir ‘ficando’ como dizem os jovens, com uns e com outros, ainda é cedo para se pensar que temos que nos ‘amarrar’ definitivamente em alguém.
Agora percebo com dor, porque Eloá, não queria ‘ficar’ mais com seu ex-namorado, talvez no seu íntimo ela tenha visto ou sentido o que ele era capaz de fazer e acabou por fazê-lo.
Eloá deixa o corpo físico, mas seus órgãos espalhados por cidades afora, irá fazer com que ela permaneça viva, dentro de quem dele se beneficiar. Talvez, dessa maneira, ela consiga fazer com que os seus sonhos e ideais permaneçam a lutar pela vida.
A morte tem cheiro, penso que de uva estragada, daquelas que quando a gente abre a geladeira o mal cheiro já está todo espalhado e a gente fica sem saber ao certo de onde é que vem o cheiro. Vem da uva estragada, e a uva estragada ou podre, é o processo da morte, que começa por corroer todos os órgãos vivos, e depois lentamente, tudo vai morrendo. Mas aqui a morte durou mais de 100 horas, e, no entanto, foi num desfecho fulminante de um tiro, que ela se tornou real.
A morte tem cheiro sim, tem cheiro de algo que nos destrói por dentro quando vemos a violência crescer através das imagens da TV, feliz eu era no tempo em que não havia TV, porque minha família se reunia para contar histórias, algumas tristes, outras misteriosas, outras até engraçadas, mas hoje a TV e o jornalismo sensacionalista é que enchem a nossa casa, e ficamos estarrecidos porque o que vemos é real, não é um conto da carochinha.
É assim que a morte acaba sempre por ter um momento exclusivo da minha escrita, porque ela vem sempre acompanhada desse cheiro de uva estragada, talvez por isso eu não goste de comer uvas.
Texto feito em homenagem a Eloá após a sua morte cerebral.
Lilia Trajano
C A I X I N H A D E F Ó S F O R O S
Para: Maria Bethânia e Dinorah que sabem fazer coisas lindas com papeis e caixas.
Minhas filhas e meus netos lembrarem sempre do reflexo do espelho.
Graça Ferreira que enche de sons as caixas vazias.
Mabel Velloso
Era uma vez uma caixinha de fósforos. Não uma caixinha qualquer. Era uma caixinha, especial, diferente das outras. Seus pauzinhos já haviam acabado mas a caixinha estava ali, firme, sendo necessária. Quem a tornou diferente das demais caixas foi aquela menina de sardas jogadas em todo rostinho, de sorriso bonito e olhos muito vivos.
Um dia a menina estava sem brinquedos novos e quis um brinquedo inventar. Lembrou das conversas com a mãe que lhe contava não ter tido brinquedos comprados em lojas, que os seus foram bonecas de pano e mobílias feitas de caixas de fósforos. Resolveu fazer uma mobília para a casinha das suas bonecas. Com as caixas vazias fez cadeiras, armários, camas e mesas.
Sobrou uma caixinha já forrada. A menina gostou dela, bonita, solta no meio da sala junto aos brinquedos.
A menina olhou a caixinha e pensou: não vou deixar esta caixa à-toa. Forrada de papel era uma graça aquela caixa vestida de azul. Gostou mais até do que das cadeiras, mesa, armários onde as outras caixas coladas viraram mobília.
A caixinha forrada passou a ocupar o primeiro lugar no cari-
nho da menina. Estava sempre junto da cama, naquela mesinha de cabeceira.
Lá um dia, entre uma brincadeira e outra a menina colocou um pedaço de espelho dentro da caixa. Olhando para dentro viu o seu rosto ali refletido, suas sardas dando graça às bochechas e ao pequeno nariz. Viu seus olhos brilharem no fundo da caixa e sorriu. Seus dentes, branquinhos surgiram e todo seu riso tomou o espaço. A caixinha era só alegria! O espelho feliz refletindo a risada!
Certa vez um menino que achava ruim tudo em redor, brigou com a menina chamando-a de feia, de sardenta e de chata. A menina correu para casa abriu a caixinha pra contar o que houve e viu lá no fundo a dor refletida, o choro na cara. A caixinha tão triste...
A partir daquele momento a menina começou a pensar mil coisas e descobriu que seu lado de fora e seu lado de dentro a caixinha mostrava. Tudo que acontecia de importante a menina queria saber o que a caixinha pensava e olhava lá no fundo do seu espelho e as res- postas chegavam.
O tempo foi passando e a menina entendendo que se tristeza ou alegria passavam por ela a caixinha sentia.
Prestava atenção nas horas do medo quando o pai e a mãe saiam a passeio e ela ficava sozinha. Se olhava a caixinha, lá dentro, escondida, encontrava a tristeza que o medo traz. Nas horas de aula, sabendo toda a lição, olhava a caixinha e nos olhos brilhantes que a caixa mostrava, sabia que um 10 contente a esperava.
Cada dia uma descoberta, cada dia um segredo guardado, uma coisa nova a caixinha mostrava.
Uma noite a menina sentiu que estava doente. O corpo doía, não teve ânimo para se levantar. Faltou à Escola. Ficou deitadinha, tomando remédios. Lembrou da caixinha e olhou dentro dela e viu que a caixinha também tinha febre e olhos vermelhos e sarampo na pele.
Certa vez, numa praia brincando nas ondas, aproveitando o azul do céu e do mar, correu encharcada e sentou na toalha estendida na areia, abriu a sacola olhou a caixinha e viu refletido o rosto queimado e as sardas mais vivas brincando na cara. O riso aberto na caixa apertada contava a alegria daquele momento.
Passou muito tempo. A menina cresceu. Levava a caixinha pra todo lugar, até nas viagens levava a caixinha, mas já não lembrava de olhar seus segredos guardados na caixa. O tempo era curto pra buscar outra vez aquele mistério da sua caixinha. Andava sem tempo cansada, correndo. Estudos, trabalho, amigos, paixões...
Um dia a tristeza bateu na menina que estava mudada, estava uma moça carregada de amores e de mil ilusões. Naquele momento lembrou da caixinha. Puxou com cuidado a parte de dentro olhou para o fundo e viu outra vez seus olhos, seu rosto ali refletidos. Teve saudade do tempo passado, da sua mobília deixada de lado, das suas bonecas escondidas no ontem, começou a chorar. Sem se dar conta olhou outra vez lá dentro da caixa e viu nos olhinhos da caixa guardados também uma lágrima tristinha correr...
Texto enviado por Mabel Velloso a Lilia Trajano
O TEMPO QUE NÃO VOOU
Sinto saudades
Do perfume que não conheço
Do beijo que não ganhei
Sinto saudades
Do cheiro da tua pele
A espalhar semente
A florescer no ar
Confesso que vi tudo assim…
Meio sem saída
Quem sabe estava de saída?
Uma esquina, estrada
Tudo a baralhar a vida
O cheiro que não conheço
Lugar por onde não passei
Mas que me deixaram marcas
E deixaram as marcas dos meus pés
Descalços sobre a tua rua molhada
Pela garoa fina que cruza o espaço
Teus lábios que não beijei
Lábios molhados
Que me deixou na boca
O sabor da saudade
Do querer mais do que não querer
Do querer sem saber se, se pode querer
Teu cheiro no meu silencio
A invadir a sombra do apartamento
A desnudar a lua
Trazendo tua imagem
Nua...
Sobre o sim
Talvez, não sei
O beijo que não provei
Do sonho que despertei
Você e eu na tela
Estática e virtual
Que num canto sentado
Espera novo dia, nova hora
A hora de ir embora.
Tenho saudades
Das carícias que não te fiz
Das gargalhadas altas
Que ecoa pela casa toda
Como a me despertar, a me dizer
Enfim, a vida vai até aqui
Saudades dos anos que não vivi
Saudades dos sons que não ouvi
Do conto que não te fiz
De passar a mão suavemente
Sobre a tua pele branca
Acariciar teu corpo
E te ver dormir.
Lilia Trajano
03.05.06
Eu com estandarte de São João Batista meu mestre querido, em Madrid na gravaça do filme Fados de Carlos Saura
Janeiro de 2007. Lilia Trajano
Mensagem de parabéns e agradecimento a
MARIA BETHÂNIA pelos 40 anos de carreira
Minha cara Senhora, Diva e Rainha da noite, quando iniciaste teu canto gritando ‘Caracará, lá no Sertão’, meu choro ecoava rompendo o ventre de minha mãe. Passamos juntas a mesma estrada, caminhos tão diferentes, eu criança brincando nos becos da favela, e tu menina do interior santamarense cantando nos palcos do Rio.
Continuamos, minha cara Maria na nossa estrada, eu na minha favela Rocinha empunhando a viola contra as pistolas, tantas vidas perdidas. Tu cantando e encantando vidas. Época de ditadura, Leãozinho enjaulado, nossa dor no peito por tanto desrespeito! Mas o sol brilhou forte onde encontrou ‘A porta entreaberta e buscou a palavra mas certa’. E foi assistindo na casa vizinha um bocadinho de TV, que descobri num canto da casa feita de telha e madeira: o vinil ‘Pássaro Proibido’ e tremi de emoção na minha meninice quando ouvi o toque do trovão e do tambor ‘Iansã comanda os ventos e a força dos elementos’. Te descobri, te encontrei minha Rainha, enfim minha estrada se bifurcava com a tua.
Te acolhi como quem monta um quebra-cabeças, fui montado meu jogo atrás de recolher toda a tua arte. Percorri todos os teus passos e fui ter contigo no Teatro da Praia, sentei, respirei aquele ar, onde você havia iniciado teu canto, um lugar tão pequenino e te fez tão grande, caminhei por ali, um show onde não pude presenciar em essência. Continue meu caminho pela estrada até chegar a AV. Venceslau Bras, na nossa casa: o Canecão. Lugar onde plantaste teu coração e deste alegria ao nosso. Subi no palco, caminhei descalça pra sentir ‘A tua presença morena’, onde cantaste ‘As canções que você fez pra mim’ e ai não pude mas me conter e chorei, chorei tanto de emoção por te ver cantar. Choro até hoje quando te vejo no palco, quando ouço teu canto, quando a vejo fazer gestos tão pequeninos, como apanhar o cabelo, a correr com o dedinho a apontar o ar, a andar na ponta dos pés. Saber da tua simplicidade, ao ler um texto em homenagem a Jorge Amado na Academia Brasileira de Letras, só pelo prazer de ir. Choro ao ouvir no meu caminho matinal sob o Tejo o teu, o nosso Brasileirinho, ‘Felicidade se faz em horinhas de descuidos’.
E foi assim minha cara Senhora, em terras lusitanas que imbuída de emoção fui conduzida até teu camarim, com as pernas tremulas, lágrimas a escorrer um choro compulsivo, tão longe do nosso ar de Janeiro que recebi teu abraço. E como criança que ainda sou nesses nossos 40 anos de estrada, te agradeço por tudo, por toda a humildade, tua simpatia, com uma sabedoria divina em ser e estar. E uma pureza subtil a nos convidar: ‘Acorda vem ver a lua’ com uma voz tão meiga, só me resta aceitar o convite e brindar com um cálice de vinho tinto alentejano, apreciar a lua que é cheia e que por nossas terras, brilha.
Obrigada minha cara Maria, por fazer parte de minha infância, minha adolescência e de minha juventude, obrigada por ser parte de minha vida. Obrigada minha Senhora, por presentear nossos dias sendo simplesmente numa Quitanda com seu Biscoito Fino: Maria Bethânia, nosso ar mais que brasileiro. Muito Obrigada!
Lilia Trajano
Viver sem PAI!
Quando a minha dor acorda penso que deve ser por não ter por perto meu pai, depois penso que viver sem pai me faz lembrar mais dele do que quando ele estava aqui. Acho que tentei ser uma boa filha, mas não sei se consegui, a gente nunca faz tudo como deve ser e então passamos para o segundo tempo, mas nem sempre dá tempo de jogar os 45 minutos, a bola pode rolar no gramado, mas o pai pode já não estar mais lá.
Viver sem pai, me faz pesar em tudo o que fiz na minha infância e adolescência, e me dá uma tristeza de Jeca, por saber que não disse tudo, não fotografei todos os momentos, não gravei a tua voz, então, é ai que penso que viver sem pai dói.
Lilia Trajano
Tenho tentado manter-me em contacto, mas é-me difícil.
Seguirei as regras, manterei os limites e ariscarei chegar mais perto do que nao é finito.
Assim é se lhe parece.
Assim é se acreditarmos que enfim chegamos ao fim de algum lugar.
Lilia Trajano
Bethânia veio e encantou com suas aguas do mar. do rio, da cachoeira em Portugal. Foi lindo de ver o seu jeito simples e magico a flutuar pelo palco. Uma roupa lindissima, com desenhos nos pés como se fosse um Orixa, a Deusa das aguas. Que tua estrela continue a brilhar minha rainha.
Lilia Trajano
O retorno é hoje possivel, por falta de tempo, por falta de um pc, nem sempre consigo manter-me actualizada, mas vai hoje quem sabe eu não faço um lance legal. Hoje Bethânia canta no Palau da Musica em Barcelona. Para a semana ela canta em Portugal, 3 no Porto, 5 e 6 em Lisboa e 8 na Figueira da Foz. Valeu Bethânia que tuas aguas venha iluminar nossos dias. Lilia Trajano


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